O futebol baiano perdeu uma de suas vozes mais marcantes. Morreu, aos 92 anos, neste segunda-feira, 22, em Salvador, o narrador esportivo Nilton Nogueira, carinhosamente conhecido como Nogueirinha. A notícia representa uma perda para o rádio esportivo e para as gerações de torcedores que aprenderam a acompanhar o futebol pelas ondas do rádio.
Nogueirinha nasceu em Salvador e iniciou sua trajetória profissional no rádio em 1957, como rádio-escuta da Rádio Sociedade da Bahia. Em 1959, deu os primeiros passos como narrador, passando a transmitir partidas de futebol e construindo, ao longo dos anos, uma carreira marcada pela emoção e pela personalidade diante do microfone.
Sua voz se tornou especialmente conhecida nas transmissões dos grandes jogos do futebol baiano, principalmente nos tradicionais confrontos entre Bahia e Vitória.
Um dos seus bordões mais lembrados era “O clássico da Bahia que o Brasil consagrou”, frase que se tornou parte da identidade de suas transmissões e permanece na memória dos torcedores.
Durante décadas, Nilton Nogueira acompanhou as transformações do futebol e do próprio rádio. Narrou partidas em uma época em que o rádio era uma das principais formas de o torcedor acompanhar, lance a lance, o que acontecia dentro de campo.
Era pela voz do narrador que o torcedor imaginava o gol, a defesa, a falta, o cartão e a emoção dos clássicos. Para quem estava longe do estádio, a narração era a ponte entre o campo e a arquibancada.
Nos últimos anos, Nogueirinha enfrentava problemas de saúde. Segundo informações divulgadas pela imprensa baiana, ele sofria de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
Ele deixa esposa, oito filhos, 17 netos e 13 bisnetos.
A despedida também repercutiu no futebol baiano. A Federação Bahiana de Futebol anunciou uma homenagem ao narrador, com um minuto de silêncio antes dos jogos da sétima rodada do Campeonato Intermunicipal Ednaldo Rodrigues.
Mais do que um narrador, Nilton Nogueira foi testemunha e personagem da história do futebol da Bahia. Sua voz acompanhou gerações e ajudou a transformar partidas de futebol em lembranças que ultrapassaram o tempo.
Nogueirinha se despede dos microfones, mas sua voz permanece na memória de quem viveu o futebol baiano pelo rádio.

