ESTÃO PERGUNTANDO DE QUAL LADO JEFERSON ESTÁ

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No primeiro turno, a estratégia visual do grupo político do ex-prefeito Jeferson Andrade falou por si só. Nos “santinhos” e materiais impressos distribuídos pelas ruas de Madre de Deus, a alocação de votos era milimetricamente calculada: havia números e nomes cravados para deputados estadual, federal e governador vinculados ao alinhamento com a base de ACM Neto.

No entanto, para o cargo mais alto do Poder Executivo do país, o espaço do presidente da República era deixado estrategicamente em branco. Essa “omissão calculada” permitia ao ex-prefeito acenar de forma velada para diferentes públicos. De um lado, abria brecha para captar a simpatia do voto “Lula/Neto”, surfando na preferência histórica do eleitorado de esquerda para o plano federal; de outro, viabilizava a acomodação de apoiadores do bolsonarismo, sem contudo assumir o desgaste ou a postura de apoio ostensivo a Flávio Bolsonaro. Um verdadeiro malabarismo de conveniência político-eleitoral.

Em cima do muro: o perigoso silêncio no momento de definição crucial em que as escolhas não permitem omissão, Jeferson Andrade adotou uma postura ainda mais cômoda: o silêncio absoluto. Nem uma declaração oficial, nem um gesto público de apoio a qualquer uma das candidaturas presidenciais. A tática de “ficar em cima do muro” pode ser conveniente no cálculo privado da sobrevivência política, mas esbarra no compromisso público que uma liderança do seu porte possui perante o município.

Pessoa pública tem o dever de se posicionar e não apenas contabilizar votos ou distribuir legendas em materiais de campanha para conveniência local; liderar é indicar caminhos de governabilidade, projetos de futuro e visão de país. Como uma figura influente na política de Madre de Deus, que já geriu o município e mobiliza uma expressiva base eleitoral, Jeferson Andrade tem a obrigatoriedade moral e política de se posicionar.

A comunidade de Madre de Deus precisa saber de qual lado suas lideranças estão, quais propostas nacionais defendem e como projetam as parcerias entre o município e o Governo Federal nos próximos anos. Ao se ocultar na neutralidade e esquivar-se da tomada de posição no segundo turno, o ex-prefeito demonstra uma postura de cálculo que coloca os interesses próprios acima do direito de orientação que a população espera e merece.

Resta saber se a população de Madre de Deus continuará aceitando o “tanto faz” ou se exigirá de suas lideranças a coragem da transparência e do posicionamento claro que a vida pública exige.

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